Domingo, Março 25, 2007
Tanta coisa para contar.
Mas hj vou deixar apenas este testo lindo que recebi por e-mail, pois ele diz muito sobre mim, sobre o que preciso aprender.
beijus
O casal perfeito
por Lia Luft
A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres.
Isso eu disse e escrevi - e repito -
em dezenas de palestras por este país afora.
Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito:
bom para quem gosta de desafios.
O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano,
sem se sentir isolado do parceiro - ou sem se isolar dele?
O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma,
com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?
Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento,
o namoro, o(a) amante (não importa) , imaginando que agora serão solucionados
ou suavizados todos os problemas - a chatice da casa dos pais,
as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego,
chegar sozinha às festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do
"enfim nunca mais só!", porque aí é que a coisa começa a ferver.
Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o sempre
à espreita, o incansável:
o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão
(desculpem, mas ela passa, o que não significa tédio nem fim de tesão),
a gente começa a amar de outro jeito. Ou a amar melhor;
ou, aí é que a gente começa a amar.
A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar;
a sentir falta; a conceder espaço;
a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida,
com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio.
A conta a pagar, a empregada que não veio, o filho doente, a filha
complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente
o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última
gota - pode ser uma trivialíssima gota - e nos damos conta:
nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim,
mas também não sei o que fazer. Como a gente não desiste fácil,
porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui,
e também porque há os filhos, os compromissos, a casa, a grana
e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de
recomeçar, de reconstruir.
Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da criatividade numa
relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa
relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é
o resultado, não o meio.
Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi:
"Todos os dias de nosso casamento
(de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher".
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente.
Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar,
pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim?
Se não quero, o que posso fazer para melhorar?
Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas.
Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado,
como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer
uma viagem, de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria,
realização e sobretudo abertura com o outro.
Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa
são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns.
É difícil? É difícil.
É duro? É duro.
Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico,
dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor, mais ainda.
O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste
de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares,
a gente, a cada dia, se escolheria novamente,
e ... amém !
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"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis."
(Fernando Pessoa)
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"Ninguém tem a felicidade garantida.
A vida simplesmente dá a cada pessoa tempo e espaço.
Depende de você enchê-los de alegria"
(Brown)
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